O deserto que forma
Ninguém escolhe o deserto. Ele nos encontra no meio do caminho, entre o que já não serve mais e o que ainda não chegou. É um lugar de silêncio, de sede, de chão que parece não acabar. Mas, na Bíblia, o deserto nunca é apenas paisagem, é o cenário onde o céu e a alma se encontram.
O povo de Israel o conheceu bem, forma quarenta anos de areia, dúvidas e maná.
Ali, Deus não os abandonou, os ensinou.
Mostrou que a fé não se mede pelo que se vê, mas pelo que se sustenta quando tudo falta.
O deserto foi a escola da confiança, o lugar onde o Egito se esvaziou de dentro deles.
Moisés o atravessou sozinho quando fugia do Egito e foi no deserto que a sarça ardente acendeu sua vocação. Elias o atravessou cansado, querendo desistir e foi ali que ouviu o sussurro de Deus. Jesus o enfrentou antes de começar sua missão e foi lá que venceu o tentador, afirmando quem era. Cada um saiu diferente do que entrou.
Porque o deserto não é o fim, é o preparo.
Ele não destrói, lapida. Não cala, ensina a escutar.
Mesmo quando o chão é seco, Deus faz brotar água da rocha, envia pão do céu e sombra no calor. O deserto é o lugar onde a provisão não vem do controle, mas da presença, onde a dependência se torna encontro.
E quando tudo parece estéril, Oséias lembra:
“Eu a levarei ao deserto e falarei ao seu coração.” (Oséias 2:14)
O deserto, então, deixa de ser castigo e vira convite. Convite para recomeçar, para ouvir de novo, para descobrir que a promessa ainda está de pé mesmo que os pés estejam cansados.
Há desertos que duram dias.
Outros, temporadas inteiras.
Mas em todos eles, há uma certeza:
ninguém sai do deserto igual.
O deserto é o espaço entre o que morre e o que floresce. E é justamente ali, onde parece não haver vida, que Deus prepara o novo.
Mantenha a fé.
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